segunda-feira, 12 de outubro de 2015

História de Israel - A conquista de Israel

Quando os Assírios conquistaram o Reino de Israel, em 722A.E.C.), 10 tribos judaicas foram exiladas. Nesta baixo relevo assírio os judeus são retratados sendo conduzidos com os seus haveres e gado para fora de Israel. Esta peça foi encontrada no palácio do Rei Senaqueribe, em Nínive. Esta é uma das poucas representações do povo judeu na época.

A conquista de Israel
 
 
Reino de Israel (Norte) e Reino de Judá (Sul)


Em 722 A.E.C., os Assírios conquistaram o Reino de Israel. Eram um povo agressivos e muito eficiente em termos bélicos; a História do seu domínio sobre o Médio Oriente é de guerra constante. A fim de assegurarem que os territórios conquistados permaneceriam pacificados, os Assírios forçavam muitos dos habitantes nativos a mudarem-se para outras partes do seu Império. Escolhiam quase sempre gente das classes mais altas e mais poderosas, pois não tinham razão para temer a massa geral das populações. Enviavam então Assírios para colonizar os territórios conquistados.

 

Recriação da conquista Assíria do Reino de Israel, ou Reino do Norte.
 
Quando conquistaram Israel, forçaram as Dez Tribos a espalharem-se por todo o seu Império. Pode dizer-se que esta foi a primeira Diáspora ("diáspora" = "dispersão") dos judeus, só que que estes desapareceram da História de forma permanente. São por isso chamados "As Dez Tribos Perdidas de Israel", que continuam, milhares de anos depois, a incendiar a imaginação popular, como vimos no post anterior desta série. 
 
É difícil determinar porque é que tal sucedeu. Os judeus têm sobrevivido, ao longo da História, a inúmeras perseguições, diásporas e até genocídios. Os Assírios não deslocaram os israelitas todos para o mesmo lugar. Em vez disso espalharam-nos em pequenas populações em todo o  Médio Oriente. Quando os Babilônios mais tarde conquistaram Judá , também deslocaram uma enorme quantidade da população. No entanto, alojaram essa população num único local, permitindo que os judeus constituíssem uma comunidade separada e mantivessem a sua religião e identidade. Os israelitas deportados pelos Assírios, no entanto, não vivendo em comunidades estruturadas, ter-se-ão desligado da sua religião, dos seus nomes e das suas identidades hebraicas.  
 
O velho combate entre o Bem e o Mal
 
Os Judeus são primeiro povo monoteísta da História. Não apenas adoravam o Deus Único, como possuíam os preceitos de Humanismo consagrados na Torá, que ainda hoje a Humanidade se esforça por alcançar. Os Assírios, além de politeístas (ou idólatras, se preferirmos) não valorizavam o Bem ou a Justiça, mas apenas a Força.
 
A vocação Judaica acabou por impregnar toda a Civilização Ocidental, que, não sendo perfeita, mantém um debate permanente sobre o que está certo e o que está errado. Ética, Moral, Humanismo, não estão, infelizmente, por enquanto, nos horizontes culturais de todos os povos. Sintomaticamente, Adolf Hitler, o maior genocida que despontou na nossa parte do Mundo, idolatrava ideologias como o Islão e deplorava a tradição judaico-cristã. É famosa a sua alegação de que "a consciência é uma invenção judaica".
 
Não é uma invenção, mas uma dádiva de Deus à Humanidade. É nesse sentido que os Judeus são o "povo escolhido", porque foi a eles que Deus escolheu para Se revelar. Repetimos: os Judeus são primeiro povo monoteísta da História. Quem discordar da escolha de Deus, proteste com Ele. os Judeus não têm culpa.
 
 
Os judeus foram levados cativos
 

O Império Assírio

O auge do Império Assírio foi atingido com a submissão de toda a Mesopotâmia, incluindo a Babilónia, a Síria, o Egipto e parte da Ásia Menor (900-612 A.E.C.).


 
Salmaneser III (858-823 A.E.C.) conquista parte de Israel. 
Tiglate-Pileser III (745-726 A.E.C.) conquista a Babilónia e a Síria.
Salmaneser V (726-721 A.E.C.) conquista Samaria.
Sargão II (721-705 A.E.C.).
Senaqueribe (705-681 A.E.C.) conquista a Síria, a Fenícia e parte da Judeia.
Esar-Hadom (681-668 A.EC.) conquista o Egito.
Assurbanipal (668-625 A.E.C.) destaca-se pela sua biblioteca em Nínive.
 

Os Assírios

Os Assírios eram um dos povos semitas que viviam na região do Cáucaso e que migraram para o planalto de Assur, na Alta Mesopotâmia, por volta do ano 2.400 a.C.. Essa região compreende o norte do actual Iraque. O nome "Assíria" deriva do nome de um dos seus deuses, que passou a nomear o planalto e a cidade de Assur.

O Estado Assírio foi forjado no cadinho da guerra, invasão e conquista. A liderança era quase inteiramente composta por chefes militares, que se tornaram ricos mercê dos despojos tomados na guerra. O Exército era o maior jamais visto no Médio Oriente ou no Mediterrâneo. As exigências da guerra animavam a inovação tecnológica, o que tornou os Assírios quase imbatíveis, com as suas espadas de ferro, lanças, arcos, armaduras de metal, aríetes ou carruagens puxadas por cavalos. Considera-se que este foi o primeiro Exército organizado em secções da História.
 
 

 
A máquina de guerra Assíria era das mais eficientes da Antiguidade

 
A extrema crueldade dos Assírios era conhecida no Mundo Antigo. Tortura, empalamento, decapitação, amputações, esfolamento em vida, eram o destino dos soldados derrotados. Esse tipo de tratamento gerava forte impacto psicológico e permitiu a rápida submissão dos outros povos mesopotâmicos e de toda a região.
O Império Assírio durou aproximadamente de 1.300 A.E.C. a 612 A.E.C., imprimindo nos povos da região influências ainda hoje visíveis, nomeadamente na tendência bélica - trata-se da região mais perigosa do globo, em guerra permanente desde sempre. Por estranho que possa parecer a quem viva no Mundo Livre, a crueldade referida no parágrafo anterior mantém-se, inalterável, hoje, pelas mãos dos terroristas do ISIS ou do Hamas, por muito que os media evitem mostrá-la.
 

 

Execuções em massa, suplícios atrozes, são dia-a-dia do Medio-Oriente. Nesta imagem é o ISIS que elimina mais umas centenas de pessoas, apenas porque não são muçulmanos sunitas radicais. Os extremistas Ocidentais apoiam estes procedimentos.


NOTA - Esta nossa pequena e despretensiosa História de Israel pretende ser o meio-termo entre  as duas críticas habituais que os inimigos de Israel fazem: se lhes mostramos uma História resumida dizem que é muito resumida; se lhes mostramos uma História extensiva dizem que "não têm vagar para essas coisas". Obviamente que esta será muito meio-termo. Como, ao fim e ao cabo, eles são impossíveis de contentar, servirá este pequeno esforço para encorajar os caros visitantes a aprofundarem os seus conhecimentos sobre Israel e sobre a região.



sábado, 3 de outubro de 2015

História de Israel - Reino dividido


"Saúl, David e Salomão" - Maerten de Vos, 1599

O Rei Saúl, o Rei David, e o Rei Salomão, foram os três primeiros Reis de Israel. O Rei Saúl foi ungido pelo profeta Samuel (I Samuel 10). Após a sua morte, o Rei David subiu ao trono (2 Samuel 2), começando a Dinastia Davídica, que durou três séculos. O Rei Salomão foi o último a governar sobre um Reino unido. Deus advertiu-o que por causa dos seus pecados, o Reino seria dividido em dois depois de sua morte (I Reis 11).
 

O Reino do Norte e o Reino do Sul (em cor mais clara, no mapa). A linha encarnada assinala as fronteiras actuais do Estado de Israel.

Com efeito, após a morte de Salomão, o seu filho Roboão passou a governar o Reino do Sul, que consiste em duas tribos, Judá e Benjamin. O seu Reino foi chamado "de Judá". A tribo de Judá foi sempre a mais numerosa das Tribos de Israel, e a de Benjamin a menos numerosa. O Reino do Norte, com as outras dez tribos, foi chamado "de Israel".

Mapa da distribuição territorial das 12 Tribos de Israel - da Jewish Virtual Library, que recomendamos vivamente.

No norte, o primeiro Rei de Israel foi Jeroboão, em 928 A.E.C.; e o último Rei foi Oséias, em 722 A.E.C.. Os Assírios começaram a conquista de Israel em 722, conduzindo ao exílio dos israelitas do Reino do Norte, alguns anos depois. Esses israelitas ficaram conhecidos como as "Tribos Perdidas", não havendo registo do seu regresso colectivo a Israel.


Mosaico das 12 Tribos de Israel, numa sinagoga em Jerusalém.

No sul, a autonomia durou um pouco mais; o último  Rei de Judá  foi Zedequias, cujo reinado terminou em 587, com a destruição do Templo e a queda de Jerusalém. A destruição do Primeiro Templo e o subsequente Exílio Babilónico assinalaram o fim da Era dos Reis de Israel.


A partir da descrição Bíblica, podemos ter uma ideia de como se dispunham as 12 Tribos ao redor do Tabernáculo, durante o Êxodo. Neste excelente blogue pode encontrar  ilustrações da narrativa Bíblica.

ISRAELISMO OU ISRAELOMANIA?

Circulam diversas teorias fantasiosas, de que cada uma das tribos perdidas veio a fundar um país. Encontramos por aí, pelas bibliotecas e pela Internet, as mais diversas reivindicações de que o país tal ou tal foram fundados por uma das tribos perdidas. E isto nos 5 continentes! A crer nestas teorias, as tribos originais teriam que ser quase tantas quantos os países do Mundo...
É mais um estranho paradoxo que envolve Israel e o seu povo. Por um lado, trata-se de um país e de um povo invulgarmente caluniados e perseguidos, alvo de sucessivas tentativas de extinção. Por outro lado, não falta gente, por todo o Mundo, que afirma que o seu povo é descendente desta ou daquela tribo de Israel, e por isso, os "verdadeiros judeus".

Milhentos sites descrevem supostas migrações dos "verdadeiros judeus", das Tribos Perdidas, para os respectivos países. Pega-se num mapa e desenha-se umas setas. A História à moda da casa...

Há de tudo. O mais interessante é um grupo que afirma que os "verdadeiros judeus" são os "arianos", a fantasia histórica que esteve na base da ideologia nazi! Mas a "História Criativa" não é de agora. O chamado Israelismo Britânico foi bastante popular durante a ascensão do Império Britânico, vindo a "onda" a declinar quando o Império foi convertido em comunidade das nações (a famosa Commonwealth). Nos primeiros anos do século XX, Charles Parham e John Allen foram os principais divulgadores desta teoria  nos Estados Unidos.

A "prova" de que os Britânicos seriam os "verdadeiros judeus" é que nas armas de Inglaterra constam dois leões - que "obviamente" serão os da Tribo de Judá (que nem sequer é uma das "Tribos Perdidas").

Esta crença inclui a identificação das pessoas britânicas e americanas como descendentes dos dois filhos de Jacob: Efraim e Manassés. O termo "britânico" seria derivada da antiga palavra hebraica "beriyth" (aliança). O termo "Saxon"/ Saxão" teria a sua origem em "Isaac's Sons"/"Filhos de Isaac". As "provas" de que os europeus seriam descendentes da tribo israelita de Dan seriam os nomes de muitos rios e cidades (por exemplo, o Rio Danúbio).


A fábrica de bolos Dancake, situada na Póvoa de Santa Iria, Portugal, também é, provavelmente, uma das "provas" de que os europeus continentais descendem todos da Tribo de Dan!

Conclusão: Basicamente, todos os países do Mundo são habitados pelos "verdadeiros judeus". Menos um: Israel! 

Já por diversas vezes aqui divulgámos, não apenas o que a História e a Arqueologia dizem sobre a legitimidade de Israel como Pátria Eterna dos judeus. Desafiamos qualquer dos que põem em causa essa legitimidade a darem-nos exemplos de Estados modernos em que os habitantes tenham mais ligação à Terra. Para começar pelas proximidades geográficas de Israel, encontramos países cujos habitantes originais foram dizimados pelos invasores Árabes, como estes quiseram fazer em 1920, quando invadiram Israel, e em 1948, quando se retiraram para os Exércitos Árabes "atirarem os judeus todos ao mar".

Os mais conceituados peritos em Genética confirmam que os judeus são judeus, para que aos israelófobos são restem dúvidas. 

A seguir, um trecho de uma palestra do Dr. Jon Entine discutindo porque é que o povo judeu é um assunto de investigação interessante para a pesquisa genética e como o estudo do DNA ajuda a rastrear as origens e as diferenças entre diferentes grupos judaicos. Também nesta palestra, o Dr. Entine explora o mito sobre os chamados "judeus khazares" e o facto de que a pesquisa científica confirma as assertivas do Judaísmo Rabínico: a maioria dos judeus de hoje são descendentes dos judeus originais.


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

História de Israel - O Reinado de Salomão

 
Salomão - no original Shlomo (em Hebraico:שלמה), que deriva da palavra Shalom (paz)


O Rei Salomão foi o segundo governante da Dinastia Davídica, após a morte de seu pai, o Rei David.  O seu reinado ter-se-ia estendido de 1009 a 922 A.E.C., nos anos geralmente considerados como a "Idade de Ouro" dos Israelitas.
 
Salomão beneficiou do trabalho do seu pai, que consolidou as fronteiras de Israel. Lançou as bases de uma economia estável e uniu a nação no culto monoteísta. Continuou a política de alianças, tornou Israel uma potência económica regional, criou infra-estruturas e indústrias. Com fronteiras que iam do Egipto até à Síria e à Mesopotâmia, o país viveu um tempo de paz, que teve o seu ponto máximo do na construção do Templo em Jerusalém, inaugurando uma era de prosperidade e devoção religiosa  sem precedentes.
 



O Primeiro Templo, ou Templo de Salomão.


A lendária sabedoria de Salomão é ainda hoje famosa. Numa passagem da Bíblia - I Reis 10 - é descrito que a Rainha de Sabá foi visitar Salomão, para testar o seu conhecimento em primeira mão. Trouxe-lhe exóticos presentes e propôs-lhe alguns enigmas; e quando ele lhes respondeu de forma satisfatória, ela partiu.

Esta intrigante passagem da Bíblia tem sido motivo de especulação ao longo dos séculos, sobre a identidade da Rainha de Sabá e sobre a natureza precisa do seu relacionamento com o Rei Salomão. Diversas pessoas e comunidades, em todo o Mundo e ao longo da História, têm reivindicado serem descendentes de uma suposta ligação amorosa proveniente deste encontro. A Israelomania é assim mesmo...

 
 
O célebre encontro forneceu inspiração para inúmeras interpretações literárias e artísticas, de cunho religioso e romântico, erudito e popular.
 
Pergunta da Rainha de Sabá:

        "Dize-me, sábio Rei Salomão,
Que águas são essas, que não
Nascem da pedra, chão ou monte.
E embora venham da mesma fonte,
Ora amargas, ora doces são?"


  
      Resposta do Rei Salomão:

        "As lágrimas não vêm do chão,
E é doce o pranto da emoção feliz
      Amargo é o pranto,
Da dor, tristeza e desencanto."
 


Yul Brynner (russo de origem mongol) e Gina Lollobrigida (italiana) protagonizaram uma das muitas reedições cinematográficas do lendário encontro entre os dois soberanos.


Em I Reis 11, é dito que Salomão de afastou de Deus. Ele é punido por ter muitas esposas, um erro que o teria levado a desviar-se dos seus deveres e mesmo à e adoração de ídolos. Deus diz a Salomão que a punição pelos seus pecados seria a divisão do Reino. No entanto, por causa do amor que Deus tinha a David, pai de Salomão, prometeu não dividir o Reino durante a vida de Salomão, mas sim durante o Reinado de seu filho, Roboão. Deus também prometeu a Salomão que os seus descendentes continuariam a ter soberania sobre duas tribos (Judá e Benjamim).


O tempo de prosperidade e de paz chegou ao fim não muito tempo depois da morte de Salomão. O filho de Salomão, Roboão, governou o Reino do Sul, Judá, que permaneceu na Dinastia Davídica por mais 300 anos.
 
 
Quadro de Tissot retratando o célebre episódio da disputa da criança pelas duas mulheres, e a famosa "justiça salomónica". Qualquer história que verse sobre sabedoria leva cunho de autoridade se atribuída a Salomão.
 
São temas controversos, quer a existência real de Salomão, quer a autenticidade da narrativa Bíblica que lhe diz respeito. Por estar necessariamente associada à Civilização Judaico-Cristã, a figura de Salomão sofre mais contestação do que outros vultos da História sobre os quais existem igualmente poucos vestígios arqueológicos. Os inimigos da religião costumam, aliás, reduzir toda a Bíblia a um "conto de fadas" - para usar uma expressão que lhes é cara.
 
Os incondicionais da religião tendem a cair no extremo oposto, mantendo a crença firme de que tudo na Bíblia é literal e relatado com precisão histórica. Salomão tem por isso uma numerosa falange de de detractores e de defensores, respectivamente.
 
As narrativas constantes no Livro dos Reis terão sido passadas a escrito durante o cativeiro dos judeus na Babilónia, e, como era comum entre os povos Antigos, o patriotismo tendia a ser exaltado em descrições épicas e magnificientes, mesclando realidade e imaginação. Reduzir tudo a uma questão de "verdade" ou "mentira" será infantilidade, ou mesmo fanatismo.
 
 
 
As minas de Salomão: fortaleza quadrada (73 x 73 m),  século 9 A.E.C., e gigantesca mina de cobre, descobertas na Jordânia, na Antiga Edom. (Foto do Laboratório Levantino de Arqueologia).

A Arqueologia vai trazendo novos contributos para a discussão. Recentes escavações e descobertas em Israel põem em questão o paradigma que afirma que não há vestígios suficientes da Dinastia Davídica. Descobertas como a Estela de Tel Dan, uma pedra inscrita datada do século 9 A.E.C., com uma inscrição em Aramaico que inclui as palavras "Casa de David" (neste contexto o termo refere-se a uma dinastia ou linhagem Real, não a uma habitação...), achada em 1993/94 pelo arqueólogo Avraham Biran, e os resultados mais recentes das escavações de Khirbet Qeiyafa por Yosef Garfinkel, apontam para um Reino israelita altamente organizado e rico em recursos, que pode ser situado no século 10 A.E.C., tal como o registo Bíblico atesta.



As mesmas minas de cobre da foto anterior, com vestígios da presença humana até 76 metros de profundidade. Uma das estruturas descobertas parece ser um altar. (Foto do Laboratório Levantino de Arqueologia).

Os cépticos defendem que não se encontraram vestígios das riquezas de Salomão descritas na Bíblia. Mas a pouco e pouco vão-se encontrando as famosas Minas de Salomão. O mesmo se pode dizer das minas da Rainha de Sabá, cujas riquezas seriam igualmente impressionantes. A arqueóloga Louise Schofield, ex-curadora do Museu Britânico, parece ter descoberto, no Norte da Etiópia, vestígios destas não menos famosas minas.

O Médio-Oriente, berço da Civilização, é rico em vestígios arqueológicos, e muito falta descobrir. A menos que o ISIS se antecipe e destrua tudo primeiro.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

História de Israel - O Reinado de David


O Rei David, interpretado por Richard Gere
A dinastia Davídica começou aproximadamente 1.000 anos antes da Era Comum, com a unção do seu fundador, o Rei David.
O governo de David seguiu-se ao do Rei Saúl, o primeiro Rei de Israel. Depois de Saúl ter sido morto numa batalha contra os Filisteus, durante a qual os israelitas sofreram uma terrível derrota, David foi ungido. O seu Reinado foi uma era dourada para os antigos israelitas. O território sob seu governo estender-se-ia até o rio Eufrates, a norte; e até ao Golfo de Aqaba, a sul.


Mapa (daqui) aproximado dos domínios do Rei David

A delimitação exacta dos territórios sob a autoridade de David, como tantas outras questões na História, permanece envolta em algumas dúvidas. A História do Povo Judeu está contada no maior best-seller de todos os tempos, A Bíblia. A Arqueologia e a pesquisa histórica continuam a enriquecer o nosso património de conhecimentos, e a confirmar a narrativa Bíblica.


Mapa (idem) mais detalhado dos territórios sob a autoridade de David

O Reino incluía todas as terras originalmente destinadas às 12 tribos de Israel (excepto uma pequena porção de Philistia ao longo da costa sul do Mediterrâneo) e também o Reino de Amon (ver mapa). Certas nações foram autorizados a manter os seus próprios Reis, passando a ser Estados vassalos (como era comum, por exemplo, na nossa Europa medieval). Os Estados vassalos incluíam Moab (leste do Mar Morto), Edom (sul do Mar Morto), e o território de Damasco (no nordeste). Houve também um território ainda mais ao norte chamado Hamat que reconheceu a soberania de Israel e a autoridade de David.

Ruínas da cidade fortificada de Shaarayim, na Judeia, onde David terá derrotado o gigante filisteu Golias. A pesquisa arqueológica está constantemente a trazer à luz do dia apaixonantes achados como este, que, curiosamente, interessam não apenas aos especialistas mas ao grande público. Mais um indício do desmedido interesse global (seja positivo, seja negativo) por Israel. Um mistério que ultrapassa a nossa compreensão.

UM PARÊNTESIS:
No clima de intenso antissemitismo do Médio Oriente actual (que deriva da tradição islâmica e do "ultraje" que constitui a presença de uma pequena nação não islâmica no meio do vasto Império estabelecido por Maomé), é crença geral que Israel pretende retomar as fronteiras do tempo de David.
Trata-se de um mito, obviamente. Entre 1967 e 2011, Israel ofereceu mais de 2/3 do seu território em troca de Paz:

Não temos notícia de alguma nação alguma vez ter feito concessões semelhantes. Talvez as mãos tão largas de Israel tenham como efeito perverso levar muita gente a habituar-se a exigir sempre mais e mais. O moderno Estado Judaico foi fundado logo com a concessão da maior parte do seu território para se fundar aí a Jordânia, um Estado Árabe. Desde aí, tem sido sempre dar. E nunca chega...
Interessante página de Facebook: "A Palestina Já Existe: É a Jordânia!".
Também digno de nota é que esse discurso é veiculado pelos media Ocidentais. O medo do "Grande Israel" é mais uma dessas irracionalidades que os inimigos de Israel veiculam.
O Rei David em batalha contra os Filisteus
David lutou contra os Filisteus, conseguindo derrotá-los. Conquistou muitas nações, incluindo partes da moderna Síria (Aram) e da moderna Jordânia (Moab), bem como outros territórios, como Edom. Ao mesmo tempo que conquistava territórios, também estabelecia alianças estratégicas com as nações amigas, como os Fenícios e o Reino de Tiro, no que hoje é o Líbano. A soberania de David era absoluta, unindo as Doze Tribos e tendo Jerusalém como sua capital.

O Rei David é das figuras históricas mais interessantes de sempre. Foi guerreiro e foi poeta. Coragem e fé são as qualidades que se destacam em David - um homem falível, como qualquer outro, que combateu as suas fraquezas.

David construiu uma casa para si mesmo, com materiais fornecidos por Hiram, Rei de Tiro (2 Samuel 5:11). Embora tenha construído uma casa para si e uma capital (2 Samuel 5: 9), David percebeu que era uma vergonha para Deus que ele, David, residisse em esplendor, enquanto que o próprio Deus não tinha casa em que "viver" (2 Samuel 7: 2).
David trouxe a Arca da Aliança para Jerusalém, com o objectivo de construir um templo para Deus. No entanto, o Profeta Natan disse-lhe que o Templo teria de ser construído pelas gerações futuras. Deus prometeu que, embora ele não fosse autorizado a construir o Templo, o Reinado permaneceria para sempre na linha de David. (2 Samuel 7:16).

Túmulo do Rei David, em Jerusalém, Israel.
Como é do conhecimento geral, os Judeus esperam o seu Messias - sem prejuízo de outros que outros povos possam reconhecer como Messias. Em questões de Fé, cada um é livre de ter a sua. O termo Messias deriva do hebraico Mashiach e significa Escolhido, ou Ungido. O Messias do Judaísmo terá que satisfazer algumas condições, a mais notória das quais é a inauguração de uma Era de Paz para toda a Humanidade. Uma outra é ser descendente do Rei David.

 'Fan the flame in the name of Judah from the line of King David!'
 'Reavivar a chama em nome de Judá a partir da linha do Rei David!'

História da Israel - Os Reis


O Profeta Samuel unge o Rei Saúl

À Era dos Juízes em Israel seguiu-se a Era dos Reis. Foi o último Juiz, o Profeta Samuel, que ungiu o primeiro Rei de Israel, o Rei Saúl. Não é consensual que Samuel seja contado como um dos Juízes, mas foi incontestavelmente o último líder do povo judeu antes do Rei Saúl. 
Samuel não era favorável a que Israel tivesse um Rei, pois, no seu entender, o "Rei" de Israel era Deus. A insistência popular levou-o a pedir um sinal divino, e o apontado foi Saúl. (Se já se esqueceu destas histórias, releia a Bíblia, mais precisamente o Livro de Samuel e o Livro dos Reis).
Saúl faz a ligação entre a era dos Juízes e a dos Reis. Foi chamado Melech ("Rei "), mas foi só no reinado do Rei David que a nação ficou realmente forte e unida como é próprio de um Reino. Antes de David, a crença monoteísta judaica e a origem comum mantinham uma união periclitante entre as tribos de Israel. 
O Reinado de Saúl decorreu entre 1049 a.e.c. e 1004 a.e.c., e foi tumultuoso. Se bem que tenha sido um Rei bem sucedido em muitas batalhas militares, a sua história é fortemente marcada pela eclosão de descontentamento e ciúmes da estrela em ascensão - David. À luz dos conhecimentos dos nossos dias, o Rei Saúl, no final do seu Reinado, estava mentalmente doente, apresentando episódios de paranóia e depressão.


O célebre episódio em que Saúl atira uma lança a David

Durante uma guerra contra os filisteus, os judeus foram derrotados e Saúl cometeu suicídio para evitar a captura. Depois do luto pela morte de Saúl, David foi ungido Rei, e o seu Reinado foi uma idade de ouro para os israelitas. O Rei David lutou contra os filisteus e, desta vez, conseguiu derrotá-los. Ao mesmo tempo que derrotava os inimigos de Israel, também fez alianças estratégicas com nações amigas. A sua soberania era absoluta. David uniu as 12 tribos e fez de Jerusalém a sua capital. David reinou entre 1003 a.e.c. e 971 a.e.c..

O Rei David derrotou Golias, o gigante filisteu, num episódio que se tornou a imagem da vitória do querer sobre a força e do Bem sobre o Mal.

O Rei Salomão, filho de David, continuou as realizações do seu pai. Prosseguiu as alianças diplomáticas e levou Israel ao estatuto de potência económica regional, apostando na construção das suas infra-estruturas e desenvolvimento da indústria. Foi um tempo de paz para os israelitas, que teve o momento mais alto na construção do Templo Sagrado em Jerusalém.

A visita da Rainha de Sabá ao "sábio Rei Salomão" tem sido uma fonte de inspiração para numerosos artistas. Esta representação é de Giambattista Tiepolo (séc. XIX). A chegada da Rainha tem sido ilustrada musicalmente por nomes tão sonantes como Handel.

A prosperidade e paz não duraram muito. As ambições de Salomão suscitaram desconfiança, e alguns acusaram-no de dar tratamento preferencial à sua tribo. Correram rumores de cisma,  e após a morte de Salomão, o Reino dividiu-se mesmo, com Israel a norte e Judá a sul. Roboão, filho de Salomão, governou o reino do sul, de Judá, e os Reis de Judá continuaram a dinastia Davídica pelos 300 anos seguintes.

Neste mapa podemos ver o Reino de Israel (a norte) e o Reino de Judá (a sul). Diversas nações e povos circundantes viriam a extinguir-se. É o caso por exemplo de Moab, Edom, e da Filístia (Terra dos Filisteus) que pode ver-se à esquerda, em baixo, com as conhecidas cidades de Ashsdod ou Gaza. No mito iniciado nos anos 60 do século XX, os Árabes, que invadiram Israel em 1920, seriam os Filisteus (!!!).

Os próximos séculos viram dois Reis no poder, simultaneamente, um a norte e outro a sul. O primeiro rei de Israel foi Jeroboão, em 928 a.e.c; e o último Rei foi Oséias, em 722 a.e.c..


Reino dividido: os sucessivos Reis de Israel e de Judá 

Os Assírios começaram a conquista de Israel em 722 a.e.c., conduzindo ao exílio dos israelitas do Reino do Norte, alguns anos depois. Os israelitas ficaram conhecidos como as "tribos perdidas". No sul, a autonomia durou um pouco mais; o último Rei de Judá  foi Zedequias, cujo reinado terminou em 587 a.e.c., com a destruição do Templo e a queda de Jerusalém.

Zedequias acorrentado é trazido à presença de Nabucodonosor. Ilustração bíblica de o de  Petrus Comestor, 1670.

O Rei Zedequias foi mandado cegar por 
Nabucodonosor, que também lhe matou os filhos. Acabou os seus dias cativo na Babilónia. Só um pequeno número de judeus foi autorizado a ficar para a terra não ficar completamente ao abandono, após a destruição.
A destruição do Primeiro Templo e subsequente exílio do povo judeu trouxe o fim da Era dos Reis. Foi a última vez que todo o povo judeu esteve unido sob a mesma autoridade, na mesma terra. Nos nossos dias, a perseguição aos judeus em todo o Mundo está a forçá-los a buscarem refúgio em Israel, o que confirma as profecias. Mas disso falaremos mais tarde...